Líder da extrema-direita da Alemanha questiona relação especial do país com Israel
27/09/2017 - 16h52 em Notícias

Um dia depois de o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) se tornar a terceira maior força do parlamento, um de seus líderes questionou se os interesses nacionais do país incluem a existência de Israel.

As relações israelo-alemãs e a vida judaica na Alemanha voltaram às manchetes após as eleições de domingo. Enquanto membros da AfD tentavam apaziguar os medos dos judeus alemães após o crescimento do partido nacionalista, racista e xenófobo, Alexander Gauland, um de seus líderes do AfD, questionou a política de Angela Merkel de uma relação bilateral especial com Israel. 

"Se a existência de Israel faz parte do interesse nacional alemão", disse ele em uma conferência de imprensa do partido nesta segunda-feira (25), usando o termo ‘razão de estado’, "então teríamos que estar preparados para enviar soldados alemães para defender o Estado judeu".

“Se este for o caso”, prosseguiu, “então a questão é ‘problemática e difícil’. É claro que a existência de Israel é um ponto importante para nós. O ponto é que transformá-la em interesse nacional parece muito simples, mas há uma guerra contínua em Israel. A implicação é que teríamos que estar preparados para sacrificar nossas vidas pelo Estado de Israel ".

Gauland reiterou essa posição em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, acrescentando: "A sociedade alemã realmente não entende qual é o significado disso: que soldados alemães lutariam e morreriam junto com soldados israelenses".

Membros da AfD fizeram comentários perturbadores no passado, incluindo chamar o Memorial do Holocausto em Berlim "um monumento de vergonha" e dizer que a Alemanha deveria honrar as memórias dos soldados que serviram sob o regime nazista.

A comunidade judaica denunciou o programa infame do partido, que quer pôr fim ao arrependimento alemão pelos crimes nazistas. Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial, chamou a chanceler Angela Merkel de uma amiga verdadeira de Israel e do povo judeu e condenou a AfD: “É abominável que um movimento reacionário vergonhoso, que repete o pior do passado da Alemanha e deveria ser proibido, agora tenha a habilidade de promover sua plataforma vil no parlamento alemão”, disse Lauder.

O Congresso Judaico Europeu pediu para os partidos centristas evitem formar coalizões com a AfD: "Algumas das posições que este partido adotou durante a campanha eleitoral exibem níveis alarmantes de intolerância não vistos na Alemanha há muitas décadas e são motivo de grande preocupação para os judeus alemães e europeus". 

Fonte: http://www.conib.org.br/noticias/3955/lider_da_extrema-direita_da_alemanha_questiona_relacao_especial_do_pais_com_israel?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Newsletter+Conib+-+27-09-17

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