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Polônia expõe milhares de arquivos judeus clandestinos da 2ª Guerra
16/11/2017 - 8h29 em Notícias
Uma das fotos mais famosas da Segunda Guerra Mundial, soldados alemães escoltam judeus no famoso gueto de Varsóvia, na Polônia, em 1943.Wikipedia

Vários documentos do "Arquivo Ringelblum", coletados clandestinamente para testemunhar a vida e a morte de judeus no gueto de Varsóvia, são apresentados pela primeira vez em uma exposição permanente no Instituto Judaico da capital polonesa.

 

Uma lata de leite antiga é mostrada no final de um corredor estreito com paredes de fragmentos de tijolos vermelhos, simbolizando aqueles que foram fugiram para esconder e preservar os arquivos clandestinos. "Este é o maior tesouro judeu da era da guerra", disse o diretor do instituto, Pawel Spiewak, nesta segunda-feira (13), “um tesouro que mostra a morte que se aproxima e que traz os testemunhos das pessoas que iam morrer, algumas semanas ou meses antes do seu desaparecimento".

 

À entrada da exposição, uma inscrição gravada em uma parede cinza: "O que não pudemos transmitir por nossos gritos e urros". A frase foi retirada do testamento de um homem de 19 anos, Dawid Graber, que conseguiu fugir em 3 de agosto de 1942 com parte do "Arquivo Ringelblum" das ruínas do gueto de Varsóvia.

Junto com 35 outras pessoas, Graber fazia parte do grupo que, sob a direção do historiador Emanuel Ringelblum, vinha reunindo desde 1940 a documentação. A equipe catalogou documentos oficiais e jornais clandestinos, cupons de racionamento de comida, cartões postais, prescrições médicas, textos literários, folhetos publicitários e até mesmo embalagens de doces.

Com o início do extermínio total dos judeus e o fim do gueto, o grupo elaborou estatísticas dos mortos pela fome, por doenças ou pelos alemães, assim como depoimentos de quem viu o horror de perto.

 
 

Testemunhas da morte

Entre os arquivos, há também cartas de judeus testemunhando mortes coletivas, deportações para campos de concentração e campos de extermínio como Belzec, Treblinka e Auschwitz. "Eles colocaram tudo em latas de metal ou latas de leite, escondidos em uma adega no gueto, um milagre que os documentos tenham sido encontrados após a guerra, entre 1946 e 1950", disse Spiewak.

Os nomes de todos os colaboradores judeus que escaparam do gueto para salvar os arquivos são gravados em uma enorme mesa de madeira na exposição, em Varsóvia. Os visitantes podem ler como viveram e como eles morreram. Apenas três deles sobreviveram à guerra e voltaram a encontrar os arquivos.

No total, foram encontrados cerca de 6 mil documentos que representam 35.369 páginas, escritas em polonês e iídiche, e às vezes em hebraico e alemão. A tradução polonesa do 38º e último volume está para ser concluída, e um primeiro volume em inglês está em preparação.

Um dos documentos em exibição é o testemunho contundente de Jakub Krzepicki, que conseguiu escapar do campo de Treblinka, onde entre 700 mil e 900 mil judeus, principalmente do Gueto de Varsóvia, foram assassinados.

O lugar da exposição também é simbólico. Foi lá, a poucos passos da grande sinagoga de Varsóvia, queimada pelos alemães, que antes da guerra houve uma grande biblioteca judaica. Após a criação do gueto, o prédio abrigou os escritórios do Jewish Mutual Aid, a única organização judia autorizada pelos alemães.

Fonte: http://br.rfi.fr/mundo/20171113-polonia-expoe-milhares-de-arquivos-judeus-clandestinos-da-2-guerra

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