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A delegação polonesa visa apaziguar as relações com Israel, após lei do Holocausto.
05/03/2018 - 15h42 em Notícias

Yuval Rotem e Bartosz Cichocki

A próxima revisão judicial, do tribunal constitucional da Polônia, será a última chance da lei ser bloqueada.


Uma delegação polonesa chegou a Israel para discutir a nova lei do Holocausto, que provocou uma disputa contínua entre os dois governos.  As conversas foram mais simbólicas, já que a lei em questão entrou em vigor no final de fevereiro.

"Felicito o vice-ministro das Relações Exteriores da Polônia, Bartosz Cichocki e a sua equipe, que chegaram a Israel para este diálogo", disse o diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yuval Rotem. 

"Devemos garantir que a verdade histórica seja preservada, que não haja restrição à liberdade de pesquisa e que o medo da punição criminal neste contexto, seja discutido e resolvido".

A nova lei estabelece multas ou um prazo máximo de três anos de prisão, para qualquer um que se referir aos campos de extermínio alemães nazistas, como poloneses ou acusar a Polônia de cumplicidade nos crimes do Terceiro Reich.

"A preservação da memória do Holocausto é um assunto de suma importância, além das relações bilaterais entre Israel e Polônia. Esta é uma questão central sobre a essência do povo judeu", enfatizou Rotem.

Já a Polônia afirmou que “o compromisso é promover a verdade sobre o Holocausto e o relacionamento entre poloneses e judeus”.

"Estamos aqui prontos para responder todas as questões e esclarecer tudo o que for necessário em relação à lei antidifamação, recentemente modificada na Polônia", disse Cichocki, sugerindo que não haveria alteração na lei, aprovada pelo Parlamento de Varsóvia e assinado pelo presidente do país, Andrzej Duda.

A lei foi aprovada para evitar uma distorção da história, que difama a nação polonesa, por meio de termos como "campos de morte poloneses".  Israel está preocupado, com o fato de um sobrevivente contar um episódio como o de “Kielce Pogrom”, onde poloneses mataram dezenas de judeus, muito depois da derrota dos nazistas e serem condenados sob a nova lei.

Enquanto os campos de concentração eram de fato poloneses, no sentido geográfico, não foram executados ou postos em prática pelas instituições polacas, que não existiam na época.

Israelenses criticaram duramente a Polônia pela extensão do alcance desta nova lei, que vai além da proibição de referências aos "campos da morte poloneses".

Esta semana, o presidente da Polônia, Andrzej Duda, visitou a comunidade judaica de Cracóvia, explicando que "houve interpretações dramáticas”. “Havia pessoas entre poloneses que denunciavam judeus, mas não toda a nação polonesa. Todas as simplificações são muito dolorosas", disse.

Referindo-se à próxima revisão judicial pelo tribunal constitucional, que é a última instância em que a lei pode ser bloqueada, Duda afirmou que isso poderá ajudar a esclarecer todas as questões. “Espero que em breve, eu possa falar sobre esse assunto e possa resolver essa disputa”, afirmou Duda.

Fonte: ruajuaica.com

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