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Museu de Auschwitz é alvo de campanha de ódio
08/05/2018 - 10h56 em Notícias
Portão de Auschwitz pelo lado da estação de trem com a plataforma de desembarque dos prisioneiros onde era feita a Seleção de quem seria tornado escravo e quem iriai morrer em seguida. Fotos de Ronaldo Gomlevsky.

Desde que foi anunciada pela Polônia, em janeiro deste ano, a chamada Lei do Holocausto, tem gerado muita discussão ao redor do mundo. Agora, os efeitos da aprovação da lei atingiram um dos lugares de mais críticos para história da perseguição aos judeus na Segunda Guerra: Auschwitz.

O Museu de Auschwitz-Birkenau, que visa manter viva a memória dos judeus assassinados e a história do local, vem sendo alvo de discursos de ódio e de uma onda de notícias falsas, normalmente veiculadas por nacionalistas, apoiadores da lei e do governo do presidente Andrzej Duda.

Um dos fornos crematórios de alta produção ainda existentes em Auschwitz.

O museu tem usado as redes sociais para se defender das notícias falsas, mas pouco pode fazer contra os ataques perpetrados contra membros de sua administração. Em março, a casa de um guia italiano de Auschwitz foi vandalizada com pichações como “Polônia para poloneses” e “Auschwitz para guias poloneses”.

Pouco tempo depois, um vídeo compartilhado no YouTube mostrou o político nacionalista Piotr Rybak, juntamente com outros poloneses, envolto em uma bandeira da Polônia, acusando um guia do museu de mentir sobre o destino dos poloneses não-judeus em Auschwitz.

Essa, inclusive, é uma das principais queixas dos nacionalistas em relação à administração do museu. Segundo os críticos, inclusive parte da imprensa polonesa, os guias, sob orientação da administração, tentam minimizar o destino de 74 mil poloneses não-judeus que pereceram em Auschwitz, focando apenas nos judeus.

Visitantes entrando no campo de concentração e extermínio da Alemanha Nazista montado em solo polonês ocupado.

Ademais, os nacionalistas que criticam o museu também defendem que os guias sejam licenciados pelo Instituto de Memória Nacional da Polônia, um órgão estatal visto como uma ferramenta para que o governo imponha suas narrativas históricas.

O principal responsável pelas mídias sociais do museu, Pawel Sawicki, revelou algumas das principais acusações que o memorial tem sofrido desde que a Lei do Holocausto foi aprovada. “O dano colateral da disputa é que Auschwitz se tornou um alvo. Nós tivemos pessoas dizendo que não podiam ter uma bandeira polonesa aqui, ou dizendo que a memória dos poloneses não está representada aqui, que o museu é anti-polonês – tudo isso é falso, e nós tivemos de responder”, afirmou Sawicki, segundo noticiou o Guardian.

A administração do museu diz que o ataque ao guia, filmado e divulgado no YouTube, foi apenas um incidente isolado e que não houve relatos de outros fatos como esse. No entanto, um guia revelou ao Guardian, em condição de anonimato, que os profissionais estão com medo de perder o emprego, caso continuem falando sobre o assunto, pois “a liderança [do museu] está com muito medo do governo”.

Cerca elétrica fatal e torres de vigia de uma das laterais do campo de concentração de Auschwitz. As torres ficam do lado de fora da cerca. Muitos judeus preferiram escolher sua morte nos campos de concentração da Alemanha Nazista, ou caminhando em direção à cerca entrando na área onde podiam ser abatidos a tiros pelos soldados nas torres ou, por vezes, os soldados não atiravam apenas para verem os judeus se eletrocutarem na cerca.

Nos últimos anos, diferentes responsáveis por museus na Polônia têm sido afastados dos seus cargos. Porém, o historiador Władysław T Bartoszewski, especialista nas relações judaico-polonesas, disse não acreditar que o governo vá tentar tirar Piotr Cywiński do cargo de diretor do Museu de Auschwitz.

A Lei do Holocausto torna crime culpar a Polônia ou o povo polonês por crimes cometidos pelo nazismo. A pena pode variar de multa a até três anos de prisão. O governo nacionalista da Polônia diz que o objetivo da lei é defender a nação da calúnia, mas acadêmicos afirmam que o resultado desta lei será o sufocamento de inquéritos históricos.

Jovens judeus em Auschwitz em 2016. Uma prova contundente de que os nazistas perderam a guerra deles, e o império deles.

O Museu de Auschwitz é uma instituição estatal do governo polonês, bem como o Campo de Concentração e Extermínio de Maidanek que é o Memorial Nacional (Polonês) do Holocausto. Nenhum dos dois locais é administrado por qualquer instituição judaica.

Fonte: https://www.menorahnet.com.br/12246-2-551-5/

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